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Compreender como ter uma alimentação saudável é essencial para garantir uma boa saúde, a longevidade e o pleno funcionamento do organismo no dia a dia.
Para facilitar o entendimento sobre esse tema e ter práticas alimentares mais saudáveis, neste artigo, a Dra. Daurea Abadia de Souza, médica, pesquisadora e Professora Ttiular aposentada da Universidade Federal de Uberlândia, traz considerações importantes sobre alimentação e saúde.
Ao longo do texto, a especialista aborda a relação entre cultura e alimentação, além das principais diretrizes nutrológicas para ajudar você a estruturar suas refeições e ter mais qualidade de vida. Continue a leitura e descubra como equilibrar diferentes grupos alimentares de forma saudável, prática e saborosa.
A cultura de uma população impacta diretamente seus hábitos alimentares, definindo aquilo que as pessoas associam ao prazer de comer.
Neste sentido, é comum identificarmos pessoas que ao responderem a pergunta: “o que você vai comer hoje?” indicam suas preferências pessoais, como bife com batatas fritas, macarronada, strogonoff, sanduíche com refrigerante, entre outros.
Desse modo, não existe uma preocupação inicial com a obtenção ou a preservação de um estado nutricional apropriado. No entanto, para ter uma alimentação saudável é preciso alinhar os hábitos alimentares cotidianos à ingestão correta de alimentos.
As primeiras observações sobre essa associação foram feitas por Hipócrates, reconhecido historicamente como o “Pai da Medicina”, que viveu entre os anos 460 e 377 a.C.
Em um texto escrito há cerca de 2.500 anos (reproduzido por Labadarios & Meguid, 2004), que ainda tem importância para as pessoas da atualidade, Hipócrates afirmava: “Deixe que a alimentação seja o seu remédio e o remédio a sua alimentação”.
Nas últimas décadas, diversos governos ao redor do mundo têm desenvolvido políticas alimentares que dialogam com os preceitos de Hipócrates e com a produção científica atual, sobre a relação entre saúde e alimentação.
Os chamados guias alimentares visam garantir a boa nutrição, respeitando hábitos e alimentos locais. No Brasil, o Ministério da Saúde tem publicado edições do “Guia Alimentar para a População Brasileira. Promovendo a Alimentação Saudável” (Brasil, 2006, Brasil, 2014).
Esses documentos reúnem evidências científicas sobre o efeito de refeições balanceadas para boa saúde. Essa conduta atua diretamente na prevenção de doenças relacionadas a má nutrição (como a obesidade e a desnutrição), infecções e doenças crônicas não transmissíveis, como o diabetes mellitus e a hipertensão arterial.
Uma alimentação saudável deve atender alguns princípios básicos que norteiam a relação entre as práticas alimentares, promoção da saúde, e a prevenção de doenças. Dentre essas práticas estão:
O consumo adequado de água, ou seja, a ingestão de, no mínimo, dois litros por dia, é essencial para um bom funcionamento do organismo.
Evitar alimentos ultraprocessados, aqueles industrializados, prontos para consumo, que apresentam vários aditivos químicos, como corantes, aromatizantes, e gorduras hidrogenadas. Eles são hiperpalatáveis, frequentemente viciantes, e têm quantidades excessivas de sódio.
Por outro lado, a priorização de alimentos naturais é uma boa prática para quem busca ter uma alimentação saudável.
Neste cenário, é essencial realizar a leitura de rótulos para conhecer os ingredientes presentes em cada produto e, com isso, evitar o consumo de alimentos que, cientificamente, podem causar diversas doenças.
Um dos pilares para uma alimentação saudável é realizar várias pequenas refeições ao longo do dia.
Uma boa prática é distribuir os alimentos entre dois a três lanches completos, uma colação (lanche simples no meio da manhã), além do almoço e do jantar.
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Uma alimentação adequada deve incluir refeições balanceadas e completas ao longo do dia. As refeições devem ser divididas em:
As principais refeições do dia devem incluir:
Os lanches completos correspondem ao café da manhã, ao lanche da tarde e à ceia. Incluir os alimentos abaixo, em porções iguais (um terço do prato de lanche):
A colação é um pequeno lanche realizado no meio da manhã, entre o café da manhã e o almoço. A orientação nutrológica é consumir uma fruta (banana, mamão, maçã, pêra, manga).
A alimentação diversificada é essencial para garantir quantidades adequadas de energia e de nutrientes que o corpo precisa, como:
Todos esses compostos alimentares são insubstituíveis e indispensáveis ao bom funcionamento do organismo.
A diversidade dietética que fundamenta o conceito de alimentação saudável de uma pessoa adulta pressupõe que nenhum alimento específico, ou grupo de alimentos isoladamente, é suficiente para fornecer todos os nutrientes necessários a uma boa nutrição e consequente manutenção da saúde.
As práticas alimentares saudáveis devem ter como enfoque prioritário o resgate/ manutenção de hábitos alimentares regionais, focalizando no consumo de alimentos naturais, de elevado valor nutritivo, produzidos em nível local e culturalmente bem aceitos pelas pessoas da região. Assim, merecem destaque as frutas, legumes e verduras regionais; grãos integrais; leguminosas; sementes e castanhas.
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Sim, a alimentação saudável pode e deve ser saborosa. No entanto, o prazer pelo consumo do alimento não pode ser o único critério utilizado no momento de montar o prato de refeição.
Isso porque os nutrientes (vitaminas, sais minerais, proteínas, ácidos graxos essenciais, carboidratos e fibras) atuam como reguladores de sinais de trânsito que possibilitam o funcionamento normal do nosso organismo.
Por outro lado, o consumo frequente de alimentos não saudáveis — como embutidos industrializados (linguiças, mortadela, presunto etc.) — impede o bom funcionamento do nosso corpo. Essa prática acarreta uma sobrecarga de compostos como gorduras saturadas e sal, além de diversos aditivos químicos que são prejudiciais à nossa saúde.
Texto elaborado em parceria com a Profa. Dra. Daurea Abadia de Souza, MD, MSc, Ph.D,
CRM-MG 9949.
Nutrologia RQE: 59.620 / Nutrição Parenteral e Enteral RQE: 59.980 /
Clínica Médica: RQE: 59.874
1) Labadarios, D; Meguid, MM. Nutrigenomics: Unraveling Man’s Constitution in Relation
to Food. Nutrition 20:2–3, 2004.
2) BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. Promovendo a alimentação
saudável. 1. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
3) BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de
Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério
da Saúde, 2014
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