Doenças respiratórias: impactos da poluição do ar e de mudanças climáticas

A qualidade do ar que respiramos tem um impacto direto na nossa saúde. O crescente aumento da poluição atmosférica e as mudanças climáticas têm impactado a rotina de quem convive com doenças respiratórias. Isso porque a baixa qualidade do ar afeta os pulmões e as  vias aéreas, aumentando a incidência e a gravidade de condições respiratórias. 

Compreender a relação entre o ambiente e a nossa saúde respiratória é essencial para adotar medidas preventivas eficazes. Neste artigo, vamos explorar como a poluição e o clima afetam o seu sistema respiratório e o que pode ser feito para mitigar esses riscos.

O que são doenças respiratórias e quais as mais comuns?

As doenças respiratórias afetam diretamente as vias aéreas e os pulmões, prejudicando a capacidade respiratória. Elas podem variar de infecções leves a condições crônicas graves.

Podemos classificá-las em duas categorias:

Entre as doenças respiratórias mais comuns na população, destacam-se:

  • asma: inflamação crônica das vias aéreas que causa dificuldade para respirar, tosse e chiado no peito;
  • bronquite: inflamação dos brônquios, podendo ser aguda (geralmente viral) ou crônica (muitas vezes ligada ao tabagismo);
  • DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica): condição progressiva que dificulta a respiração, englobando a bronquite crônica e o enfisema;
  • rinite alérgica: inflamação da mucosa nasal causando espirros, coriza e coceira;
  • pneumonia: infecção que inflama os sacos aéreos nos pulmões.

Por que as doenças respiratórias estão cada vez mais frequentes?

O aumento da poluição urbana, proveniente da queima de combustíveis fósseis e atividades industriais, assim como as queimadas e o tabagismo passivo, são fatores que sobrecarregam o sistema respiratório. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informa que 99% da população global respira ar que excede os limites recomendados.

No Brasil, durante os meses secos, quando há aumento das queimadas e baixa umidade do ar, observam-se picos de internações por problemas respiratórios, especialmente para asma e DPOC.

Como a poluição do ar agrava as doenças respiratórias?

A poluição do ar é composta por uma mistura complexa de poluentes, mas alguns são particularmente perigosos para os pulmões.

As partículas finas (PM2.5), por exemplo, são tão pequenas que conseguem penetrar profundamente nas vias respiratórias e até mesmo na corrente sanguínea, causando inflamação sistêmica  (resposta imunológica que afeta todo o corpo). 

Além delas, gases como o ozônio (O3) no nível do solo e outros gases tóxicos (como dióxido de nitrogênio e dióxido de enxofre) atuam como irritantes potentes das mucosas respiratórias.

Quando inalados, estes poluentes podem causar:

  • tosse persistente e seca;
  • falta de ar ou dificuldade para respirar;
  • agravamento e aumento da frequência de crises de asma;
  • irritação ocular, nasal e na garganta.

Embora todos sejam afetados, alguns grupos são mais vulneráveis aos impactos da poluição:

  • crianças: seus sistemas respiratórios ainda estão em desenvolvimento;
  • idosos: frequentemente possuem um sistema imunológico mais sensível e condições de saúde preexistentes;
  • gestantes: a exposição pode afetar tanto a mãe quanto o desenvolvimento do feto;
  • pessoas com doenças pulmonares ou cardíacas: a poluição age como um gatilho para a exacerbação de suas condições.

A saúde dos idosos, em particular, exige atenção redobrada, pois a exposição à poluição pode agravar rapidamente quadros crônicos.

Consequências a longo prazo

A exposição crônica à poluição do ar não causa apenas sintomas imediatos. Ela é um fator de risco significativo para o agravamento de doenças crônicas, como a DPOC, e está associada ao desenvolvimento de asma em crianças.

A longo prazo, isso se traduz em um aumento de internações hospitalares e visitas a prontos-socorros, sobrecarregando o sistema de saúde. O impacto econômico e na qualidade de vida é substancial, limitando atividades diárias e aumentando os custos com medicamentos.

De que forma as mudanças climáticas aumentam os riscos respiratórios?

As mudanças climáticas não são um problema isolado, elas potencializam os riscos respiratórios. Temperaturas extremas, sejam ondas de calor ou frio intenso, afetam diretamente a qualidade do ar e a saúde pulmonar.

O calor excessivo, por exemplo, pode aumentar a concentração de ozônio no nível do solo. Além disso, eventos climáticos extremos como secas prolongadas e o consequente aumento de queimadas liberam quantidades massivas de fumaça e partículas finas na atmosfera, afetando regiões inteiras.

A baixa umidade do ar, comum em períodos de seca, resseca as vias aéreas, tornando-as mais vulneráveis a infecções. Estudos também sugerem que as alterações nos padrões de temperatura e umidade podem favorecer o aumento da circulação de vírus respiratórios (como o da gripe) tanto em períodos de frio intenso quanto de calor atípico.

A poluição e as mudanças climáticas não afetam apenas os pulmões, o sistema cardiovascular também sofre com a inflamação sistêmica causada pelos poluentes.

Como reduzir os impactos e proteger a saúde respiratória?

Embora não possamos controlar o clima ou a poluição urbana sozinhos, podemos adotar medidas individuais para proteger nossa saúde respiratória:

  • monitore a qualidade do ar: evite atividades ao ar livre intensas, como exercícios, em dias de alta poluição ou baixa umidade. Aplicativos e sites de meteorologia costumam fornecer essa informação;
  • mantenha a hidratação: beber bastante água ajuda a manter as mucosas hidratadas e mais resistentes;
  • use máscaras: em áreas urbanas críticas ou em dias com muita fumaça, o uso de máscaras (como PFF2 ou N95) pode filtrar as partículas finas;
  • acompanhamento médico: o controle de doenças pré-existentes, como asma ou DPOC, é fundamental. Mantenha o acompanhamento médico regular e o uso correto das medicações.

Além disso, manter a vacinação em dia, especialmente contra a gripe e a COVID-19, é essencial para evitar complicações respiratórias graves.

Cuide da sua saúde respiratória

O impacto da poluição e das mudanças climáticas na saúde respiratória é significativo, mas adotar medidas preventivas e monitorar a qualidade do ar pode reduzir os riscos. Manter um estilo de vida saudável e buscar acompanhamento médico contínuo são fundamentais.

Se você sofre de problemas respiratórios recorrentes ou busca uma avaliação completa da sua saúde pulmonar, consulte um especialista. A equipe de Pneumologia do UMC está preparada para fornecer um diagnóstico preciso e um cuidado completo.

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