Arritmia cardíaca: o que é, tipos, sintomas e tratamento

A arritmia cardíaca é o nome dado para quadros de alterações no ritmo dos batimentos cardíacos. Trata-se de um conjunto de condições com diferentes manifestações clínicas, que podem variar desde alterações benignas, sem impacto significativo à saúde, até quadros potencialmente graves que exigem avaliação e acompanhamento médico especializados.

A seguir, explicaremos em detalhes o que é a arritmia cardíaca, quais são os tipos, causas, sintomas e tratamentos disponíveis. Continue a leitura para saber mais sobre essa condição.

O que é arritmia cardíaca?

Arritmia cardíaca é o nome dado para indicar alterações no ritmo dos batimentos do coração, causada por mudanças na geração ou condução dos impulsos elétricos (os sinais que fazem o coração bater).

Essas alterações podem fazer com que o coração bata mais rápido (taquicardia), mais devagar (bradicardia) ou de forma irregular.

Quais são as causas da arritmia cardíaca?

A arritmia cardíaca pode ter diversas causas. Algumas pessoas já nascem com essa condição no coração, enquanto outras a desenvolvem ao longo da vida devido a doenças cardíacas, distúrbios da tireoide, consumo excessivo de álcool, tabagismo, uso de estimulantes ou outras condições de saúde.

A procura por auxílio médico costuma ser motivada por palpitações frequentes, tonturas, desmaios, falta de ar ou dor no peito. O diagnóstico precoce permite identificar o tipo de arritmia e indicar o tratamento mais adequado, reduzindo o risco de complicações e preservando a saúde cardiovascular.

Quais são os tipos de arritmias cardíacas?

As arritmias cardíacas são classificadas de acordo com a velocidade dos batimentos (se o coração bate rápido ou devagar demais) e a região do coração onde o problema se origina.

As principais categorias incluem:

Taquicardias (Batimentos Acelerados)

Ocorrem quando a frequência cardíaca em repouso ultrapassa 100 batimentos por minuto (bpm). Elas dividem-se em:

Taquicardias supraventriculares 

Originam-se nas regiões acima dos ventrículos, incluindo os átrios (câmaras superiores) ou o nó atrioventricular (nó AV). Exemplos comuns incluem:

  • Fibrilação atrial: provoca estímulos elétricos rápidos e desorganizados nos átrios, impedindo que eles contraiam adequadamente e aumentando o risco de formação de coágulos e AVC;
  • Flutter atrial: semelhante à fibrilação atrial, mas apresenta impulsos elétricos com um ritmo mais regular e organizado nos átrios;
  • Taquicardia paroxística supraventricular (TPSV): episódios súbitos de aceleração cardíaca que começam e terminam de forma repentina.

Taquicardias ventriculares

Surgem nas câmaras inferiores do coração (ventrículos). Como afetam diretamente a capacidade do coração de bombear sangue para o corpo, exigem atendimento médico imediato e incluem:

  • Taquicardia Ventricular (TV): ocorre quando os ventrículos batem em um ritmo muito rápido e irregular. Se persistir por mais do que alguns segundos, pode causar tontura severa, queda de pressão, desmaio e evoluir para uma condição ainda mais grave;
  • Fibrilação Ventricular (FV): é a forma mais grave de arritmia cardíaca. Em vez de baterem, os ventrículos apenas “tremem” (fibrilam) de forma desregulada, interrompendo instantaneamente o bombeamento de sangue para o cérebro e órgãos vitais. Trata-se de uma emergência médica (parada cardíaca) que causa perda de consciência em segundos e exige ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e desfibrilação imediata.

Bradicardias (Batimentos Lentos)

Ocorrem quando o coração bate a menos de 60 bpm em repouso. Podem ser fisiológicas (em atletas ou durante o sono) ou indicar alterações no sistema elétrico do coração. Os principais tipos incluem:

000 Disfunção do Nó Sinusal (Bradicardia Sinusal): 

Ocorre quando o nó sinusal (o “marcapasso natural” do coração, localizado no átrio direito) gera impulsos elétricos mais lentos do que o normal ou falha ao acelerar o ritmo durante um esforço físico;

Bloqueios Atrioventriculares (BAV)

Acontecem quando o sinal elétrico sofre atraso ou interrompe sua passagem dos átrios para os ventrículos (um bloqueio de condução elétrica, que não deve ser confundido com artérias entupidas). São classificados em:

  • BAV de 1º Grau: o sinal elétrico sofre apenas um leve atraso, raramente causando sintomas ou necessitando de tratamento;
  • BAV de 2º Grau: alguns impulsos elétricos falham em chegar aos ventrículos, provocando batimentos pausados ou irregulares;
  • BAV de 3º Grau (Bloqueio Completo): nenhum sinal elétrico vindo dos átrios alcança os ventrículos. É a forma mais grave de bloqueio e exige a implantação de marcapasso.

Batimentos prematuros (Extrassístoles)

São contrações antecipadas que dão a sensação de uma “falha” ou “pulo” no batimento cardíaco. Podem surgir nos átrios (extrassístoles atriais) ou nos ventrículos (extrassístoles ventriculares). Embora frequentemente sejam benignas (associadas ao estresse, consumo excessivo de cafeína ou ansiedade), devem ser avaliadas se forem muito frequentes

Quais são os sintomas de arritmia cardíaca?

Algumas arritmias são assintomáticas. Quando há sintomas, o nível de urgência varia:

  • Para agendar consulta com o cardiologista: palpitações ocasionais, sensação de “pulo” no peito, ritmo acelerado ou lento em repouso e leve cansaço habitual;
  • Para atendimento de emergência (Pronto Socorro / SAMU 192/Bombeiros 193): desmaios (síncope), dor ou pressão intensa no peito, falta de ar súbita, tontura grave ou suor frio repentino.

Para evitar o agravamento dos casos, é essencial realizar o acompanhamento clínico regular na frequência indicada pelo cardiologista, para que todas as condutas disponíveis possam ser adotadas visando a redução de risco cardiovascular.

Como é feito o diagnóstico da arritmia cardíaca?

O diagnóstico da arritmia exige uma avaliação rigorosa feita por um cardiologista. Como os sintomas podem ir e vir, o médico combina a história clínica do paciente a exames específicos para identificar o tipo exato e a causa da alteração no ritmo. Os principais exames incluem:

  • Eletrocardiograma (ECG);
  • Holter 24 horas (ou 7 dias);
  • Ecocardiograma;
  • Teste de Esforço (Ergométrico);
  • Estudo Eletrofisiológico (EEF).

Quais são os tratamentos para arritmia cardíaca?

Nem toda arritmia precisa de tratamento. Quadros episódicos e benignos exigem apenas acompanhamento. A intervenção médica só ocorre quando a alteração causa sintomas relevantes ou oferece riscos. Entenda a seguir: 

Tratamentos para Taquicardias (Batimentos Acelerados)

O objetivo é desacelerar o coração ou restaurar o seu ritmo elétrico normal. As opções incluem:

  • Medicamentos antiarrítmicos: fármacos que ajudam a controlar a frequência cardíaca e a prevenir novos episódios;
  • Cardioversão elétrica ou química: uso de medicamentos específicos ou de um choque elétrico rápido e controlado (sob sedação) para “reiniciar” o ritmo cardíaco normal, muito utilizado na fibrilação atrial;
  • Ablação por cateter: um tubo fino (cateter) é guiado até o coração para cauterizar ou congelar as pequenas áreas do tecido encarregadas de gerar os sinais elétricos anormais;
  • Desfibrilador implantável (CDI): dispositivo similar ao marcapasso, implantado sob a pele, que monitora o coração 24h e emite um choque elétrico automático para reverter arritmias ventriculares de alto risco.

Tratamentos para Bradicardias (Batimentos Lentos)

O objetivo é acelerar o coração ou garantir que o estímulo elétrico chegue às câmaras inferiores:

  • Ajuste de medicamentos: muitas vezes, a bradicardia é causada como efeito colateral de remédios para pressão alta ou outras condições. O médico pode ajustar ou substituir essas medicações;
  • Marcapasso cardíaco: trata-se de um pequeno dispositivo implantado abaixo da clavícula com fios conectados ao coração. Quando o marcapasso percebe que o coração está batendo devagar demais, ele envia pequenos impulsos elétricos indolores para manter a frequência cardíaca adequada.

Seja qual for a conduta adotada, mudanças no estilo de vida, como parar de fumar, praticar atividades físicas orientadas e controlar o estresse, são indispensáveis para garantir a saúde do seu coração.

Arritmia cardíaca requer apoio especializado

O diagnóstico precoce evita complicações e favorece os cuidados com a saúde cardiovascular. Por essa razão, se você tem percebido batimentos irregulares, fadiga incomum, palpitações, tontura ou desmaios, procure uma avaliação médica para um diagnóstico adequado e definição do tratamento mais indicado.

No complexo de saúde UMC, combinamos a experiência de cardiologistas renomados a tecnologias avançadas para monitorar e tratar as alterações do ritmo cardíaco de forma segura. Agende sua avaliação individualizada.

Referências utilizadas:

HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Arritmias. São Paulo: Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Disponível em: https://www.einstein.br/n/glossario-de-saude/arritmias

MANUAL MSD. Considerações gerais sobre arritmias cardíacas. Versão para a Saúde da Família. Kenilworth: Merck & Co., Inc.,. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/arritmias-card%C3%ADacas/considera%C3%A7%C3%B5es-gerais-sobre-arritmias-card%C3%ADacas. Acesso em: 13 jul. 2026.

VARELLA, Drauzio. Batimentos cardíacos irregulares podem ser sinal de arritmia cardíaca. In: DrauzioCast. São Paulo: UOL. Podcast. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/podcasts/drauziocast/batimentos-cardiacos-irregulares-podem-ser-sinal-de-arritmia-cardiaca/. Acesso em: 13 jul. 2026.

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