Depressão pós-parto: sinais, riscos e acolhimento

A chegada de um bebê é um momento de intensa transformação na vida de uma mulher e de toda a família. No entanto, junto com a alegria, podem surgir desafios emocionais significativos. 

A depressão pós-parto é uma condição de saúde mental, que afeta o bem-estar da mãe por um tempo prolongado, diferentemente de uma tristeza passageira ou do baby blues (uma oscilação emocional leve e temporária, comum nos primeiros dias após o parto, causada principalmente por alterações hormonais e pelo cansaço).

Compreender esta condição é fundamental para desmistificá-la e garantir que as mães recebam o acolhimento e o tratamento necessários. Confira! 

O que é depressão pós-parto?

A depressão pós-parto é um transtorno depressivo que pode aparecer após o nascimento do bebê. Conforme aponta o Ministério da Saúde, para que seja considerada depressão pós-parto, os primeiros sintomas devem surgir em até 4 semanas após o nascimento do bebê. 

Quais são os sinais e sintomas da depressão pós-parto?

Muitas mulheres experimentam o baby blues, uma tristeza leve e transitória que dura poucos dias e costuma desaparecer em até duas semanas após o parto. A depressão pós-parto, contudo, é mais grave e duradoura. Os sintomas mais comuns incluem:

Sintomas emocionais

Tristeza persistente na maior parte do dia, crises de choro frequentes, perda de prazer em atividades que antes gostava (incluindo o contato com o bebê), ansiedade intensa, irritabilidade e sentimentos excessivos de culpa ou inadequação.

Sintomas cognitivos 

Dificuldade de concentração e raciocínio, problemas para tomar decisões simples e falta de memória.

Sintomas físicos

Cansaço extremo ou fadiga que não melhora com o descanso, alterações significativas no apetite (comer muito mais ou muito menos) e distúrbios do sono (insônia ou dormir em excesso).

Sintomas comportamentais

Afastamento social, dificuldade em cuidar de si mesma ou do bebê e falta de energia.

Quais são os fatores de risco e consequências da depressão pós-parto?

Embora qualquer mulher possa desenvolver a condição, alguns fatores aumentam a vulnerabilidade:

  • Histórico de depressão ou ansiedade: ter um histórico pessoal ou familiar de transtornos mentais é um dos principais fatores de risco.
  • Complicações na gestação ou parto: um parto traumático, complicações de saúde com a mãe ou o bebê, parto prematuro ou uma perda gestacional anterior podem ser gatilhos. O estresse de condições como o diabetes gestacional também é um fator que exige atenção.
  • Falta de suporte social: sentir-se sozinha, sem apoio prático ou emocional do parceiro, família ou amigos.
  • Estresse socioeconômico: dificuldades financeiras, instabilidade no relacionamento ou outros eventos estressantes.
  • Problemas com a amamentação: dificuldades, dor ou pressão social para amamentar podem gerar sentimentos de frustração e culpa.
  • Oscilações hormonais: especialistas apontam que as diversas variações hormonais durante a gestão também podem ser um fator de risco.

Quais são as consequências da depressão pós-parto se não tratada?

Quando não tratada, a depressão pós-parto impacta a mãe, o bebê e toda a família. Para a mãe, pode haver uma piora no seu comportamento e na sua saúde a longo prazo. 

Além disso, o vínculo mãe-bebê pode ser prejudicado, afetando a capacidade da mãe de responder às necessidades de afeto e estimulação do bebê, o que é crucial para o desenvolvimento infantil. 

Vale lembrar também que  cuidar da saúde mental  é essencial em todas as fases da vida, e buscar ajuda, evita consequências.

Como identificar e buscar acolhimento e tratamento?

Reconhecer que algo não vai bem é o primeiro e mais importante passo para a recuperação. Além disso, algumas atitudes podem ajudar nesse início:

  1. Falar com alguém: compartilhar os sentimentos com o parceiro, um familiar ou um amigo de confiança.
  2. Procurar um profissional de saúde: marcar uma consulta é indispensável. O profissional que acompanhou a gestação, como o obstetra, pode ser o primeiro contato, assim como um médico de família, psicólogo ou psiquiatra. O pediatra do bebê também costuma ser treinado para identificar esses sinais na mãe.
  3. Documentar os sintomas: tentar anotar em um diário o que sente e com que frequência pode ajudar o profissional a fechar o diagnóstico.

No entanto, é importante ressaltar que se houver risco imediato à vida da mãe ou do bebê, procure um serviço de emergência imediatamente.

Quais tratamentos existem?

A depressão pós-parto é tratável e a abordagem geralmente combina algumas opções:

Psicoterapia

A terapia conversada, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou a Terapia Interpessoal, é altamente recomendada para ajudar a mulher a processar suas emoções e desenvolver estratégias de enfrentamento.

Medicamentos 

Antidepressivos podem ser necessários, sempre sob prescrição e acompanhamento médico, para equilibrar a química cerebral. Por isso, é crucial conversar abertamente com o médico sobre a amamentação; existem muitas opções de medicamentos considerados seguros durante esse período, e o tratamento não deve ser interrompido por medo.

Grupos de apoio

Conectar-se com outras mães que passam pela mesma situação (presencialmente ou online) pode ser uma fonte valiosa de acolhimento e redução do isolamento.

O que familiares e quem está perto podem fazer para acolher?

A rede de apoio é uma das ferramentas mais importantes para ajudar na recuperação da depressão pós-parto. E a forma como nos aproximamos da mãe faz toda a diferença. 

Sendo assim, é importante evitar frases que minimizem seus sentimentos, como “é só uma fase” ou “você deveria estar feliz”. Em vez disso, é preferível uma abordagem empática e acolhedora, por exemplo: “Tenho notado que você parece sobrecarregada. Está tudo bem se a gente conversar?”

Além disso, familiares e pessoas próximas também podem observar sinais de alerta e incentivar a busca por atendimento especializado. Esse cuidado pode ser decisivo para que a mãe receba o apoio e o tratamento necessários, no momento certo.

Também é importante: 

  • Ajudar nas rotinas: assumir tarefas domésticas ou cuidar do bebê para que a mãe possa descansar.
  • Cuidar do sono da mãe: garantir que ela tenha períodos de sono ininterrupto é vital. Por isso, ficar com o bebê durante algumas horas da noite pode fazer uma enorme diferença.
  • Acompanhar em consultas: oferecer-se para ir junto ao médico ou psicólogo, ajudando a tomar notas ou simplesmente oferecendo companhia.

Cuidar da sua saúde emocional é essencial

O diagnóstico precoce da depressão pós-parto é fundamental tanto para a mãe quanto para o bebê, por isso é importante contar com uma equipe que compreende o que você está vivendo e acompanha você em cada etapa do cuidado.

No UMC, você encontra profissionais especializados, prontos para oferecer acolhimento, orientação e tratamento com segurança e empatia, respeitando o momento e as necessidades. Agende sua consulta 

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