Broncoaspiração: o que é, causas, riscos e o que fazer

A broncoaspiração é um evento clínico que ocorre quando substâncias estranhas, como alimentos, líquidos, saliva, secreções gástricas ou mesmo objetos, são inaladas e penetram nas vias aéreas inferiores, que incluem a traqueia, brônquios e pulmões. 

Diferente de um simples engasgo, onde a tosse expulsa o material das vias superiores, a broncoaspiração implica na passagem da substância para um nível mais profundo do sistema respiratório. 

Este incidente pode ser discreto ou representar uma emergência médica potencialmente grave, especialmente para crianças, idosos ou pessoas com condições de saúde pré-existentes. 

A compreensão sobre o que é, como prevenir e como agir diante de uma suspeita de broncoaspiração é indispensável para proteger a saúde e evitar complicações.

O que é broncoaspiração?

A broncoaspiração consiste na entrada acidental de conteúdo sólido ou líquido nas vias respiratórias. Durante a deglutição normal, uma complexa coordenação neurológica e muscular fecha a epiglote (uma espécie de “tampa” da laringe) para proteger a via aérea, direcionando o alimento ou líquido para o esôfago, que leva ao estômago.

Quando esse mecanismo de proteção falha, seja por uma distração, um reflexo inadequado ou uma condição médica, o conteúdo segue o caminho errado. A consequência imediata é uma tentativa do corpo de expulsar o invasor por meio da tosse reflexa — mecanismo de defesa do organismo para desobstruir a via aérea e evitar que o conteúdo atinja os pulmões.

No entanto, se a substância aspirada ultrapassar a barreira da laringe e chegar aos brônquios, ocorre a broncoaspiração, o que pode levar a obstrução parcial ou total das vias aéreas, impedindo a passagem do ar.

Quais são as causas da broncoaspiração?

Existem diversas causas para broncoaspiração, as principais são: 

Comprometimento do reflexo de deglutição (disfagia)

  • Doenças neurológicas: condições como Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença de Parkinson, esclerose múltipla, doença de Alzheimer e lesões cerebrais traumáticas podem afetar os nervos e músculos envolvidos na deglutição;
  • doenças musculares: como a miastenia, que causa fraqueza muscular progressiva;
  • anormalidades estruturais: tumores na boca, faringe ou esôfago, ou sequelas de cirurgias na região da cabeça e pescoço.

Alteração do nível de consciência

  • Estado de coma por qualquer causa;
  • anestesia geral, especialmente no período de recuperação;
  • intoxicação por álcool ou drogas;
  • convulsões.

Fatores de risco

  • Refluxo gastroesofágico (DRGE) grave: o conteúdo ácido do estômago pode refluir até a faringe e ser aspirado, especialmente durante o sono;
  • idade avançada: o envelhecimento pode levar a uma diminuição natural da força e coordenação muscular da deglutição;
  • uso de sondas alimentares: a presença da sonda pode dificultar o fechamento completo da laringe;
  • engasgos frequentes durante alimentação são um sinal de alerta importante;
  • pessoas com doenças respiratórias crônicas pré-existentes, como asma ou DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), podem ter maior risco de complicações graves após um episódio.

Quais os riscos da broncoaspiração?

Os riscos de broncoaspiração são significativos e variam desde complicações imediatas até problemas de saúde crônicos.

Riscos imediatos e agudos:

  • asfixia e obstrução das vias aéreas: quando um objeto ou pedaço de alimento obstrui a traqueia, ou um brônquio principal, pode levar à falta de oxigênio (hipóxia) em minutos, configurando uma emergência que exige intervenção imediata;
  • pneumonia aspirativa: ocorre quando a substância aspirada contém bactérias, o que pode levar a uma inflamação no tecido pulmonar. Os sintomas incluem febre, tosse com catarro ou secreção, falta de ar e dor no peito;
  • dificuldade respiratória (dispneia): a inflamação e a possível obstrução parcial levam a um grande esforço para respirar;
  • Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA): em casos graves, a reação inflamatória é tão intensa que compromete a função pulmonar de forma generalizada, uma condição com alta mortalidade que exige suporte intensivo.

O que fazer em caso de broncoaspiração?

A rápida identificação do quadro é fundamental para evitar consequências graves e complicações de saúde. 

Algumas ações que devem ser tomadas nesse caso são: 

1. Primeiros socorros imediatos (emergência)

Diante de uma obstrução grave das vias aéreas, engasgo ou broncoaspiração, o primeiro passo é ligar para um serviço de emergência (SAMU 192 ou Corpo de Bombeiros 193). 

Em seguida, é recomendável realizar manobras de desobstrução, seguindo o protocolo mais atualizado (American Heart Association, outubro de 2025):

  1. inicie com pancadas nas costas: incline a pessoa levemente para a frente e aplique 5 pancadas firmes na parte superior das costas (entre as escápulas), utilizando a palma da mão para tentar deslocar o objeto;
  2. alterne com a Manobra de Heimlich: se o objeto não for expelido, posicione-se atrás da pessoa, envolva a cintura dela com os braços e coloque o punho fechado logo acima do umbigo e abaixo do osso do peito; 
  3. realize as compressões abdominais: segure o punho com a outra mão e faça 5 compressões rápidas, puxando para dentro e para cima, em um movimento semelhante a um “J” invertido; 
  4. mantenha o ciclo 5+5: continue alternando ciclos de 5 pancadas nas costas e 5 compressões abdominais até que o objeto seja expelido ou a pessoa perca a consciência;  
  5. atendimento em caso de inconsciência: se a pessoa desmaiar, deite-a em uma superfície firme e inicie imediatamente as manobras de Reanimação Cardiopulmonar (RCP), começando pelas compressões torácicas. 

2. Busca por socorro emergencial

Diante de um quadro de engasgo, o primeiro passo é ligar para o SAMU (192) ou Corpo de Bombeiros (193). Os profissionais irão indicar como prosseguir e quais ações adotar. 

Após os cuidados emergenciais, é essencial seguir o acompanhamento com um médico especializado, como um pneumologista, para averiguar as consequências e prevenir novos eventos. 

Em quadros mais graves, os cuidados posteriores envolvem o uso de antibióticos para tratar a pneumonia aspirativa, além de sessões de fisioterapia respiratória para a higiene das vias aéreas. 

Broncoaspiração requer acompanhamento pós-emergencial

Após o suporte emergencial imediato, é essencial buscar por uma avaliação clínica detalhada. O objetivo é assegurar que não houve aspiração de resíduos para os pulmões, o que pode causar inflamações e infecções. 

Para isso, é importante contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar. No UMC, em Uberlândia, você encontra especialistas em pneumologia, para restaurar a saúde pulmonar e evitar sequelas do quadro, e fonoaudiólogos, que atuam na análise da deglutição, identificando as causas do incidente para prevenir novas ocorrências. 

Referências: 

Alencar, Â., Novaes, O., Rodrigues, S., & Accioly, S. (2022). Protocolo Clínico: Manejo da Broncoaspiração. Revista Científica Hospital Santa Izabel6(1), 54-61. Disponível em: file:///D:/Arquivos/Downloads/10.+ARTIGO+10%20(1).pdfASSOCIAÇÃO PAULISTA DE MEDICINA.

Desengasgo: novas diretrizes mudam o passo a passo de manobras em bebês, crianças e adultos; veja guia. São Paulo: APM, 27 out. 2025. Disponível em:https://www.apm.org.br/desengasgo-novas-diretrizes-mudam-o-passo-a-passo-de-manobras-em-bebes-criancas-e-adultos-veja-guia/.

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